Gerson Ferreira

Inovação ou Evolução?

Publicado em 16 de junho de 2015 por Gerson Ferreira

Categorias : Estratégia, Pessoas

Imagem Inovação Evolução

Nos projetos de branding que desenvolvo para marcas corporativas é muito comum encontrar organizações com uma grande dificuldade de transformar o discurso em prática. O que não falta para alguns empresários brasileiros é uma boa dose de empenho para se justificar, mas não para inovar. Há pouca disposição para quebrar paradigmas e o que mais se vê são empresas com discursos muito similares, pouquíssima preocupação em administrar sua cultura corporativa e uma grande miopia estratégica na gestão da identidade da organização.

Como queremos estar daqui a dez, vinte ou trinta anos? Qual o nosso propósito? Quais valores vão contribuir como balizadores da conduta do nosso negócio? Como compartilhar internamente estes valores? Como diminuir a hierarquia e fortalecer a interdependência entre pessoas e equipes? Como implementar um ambiente de trabalho que propicie a criatividade sem comprometer a produtividade e a eficiência? Como gerenciar o conhecimento ao ponto de ser uma vantagem competitiva?

Porque é tão difícil ouvir estas perguntas com a mesma frequência com que se questiona a meta do período, a diminuição do custo ou a falta de comprometimento dos funcionários? Inovar faz parte do dia a dia de qualquer empresa que deseja ser competitiva e relevante no contexto mercadológico atual. Essa consciência existe na maioria dos empresários, mas são raros os que realmente conseguem construir uma organização capaz de inovar. Na prática há um gap entre a necessidade e a capacidade de inovar. Os discursos são bonitos e impressionam, mas na prática há um excesso de similaridade na maneira de comercializar, de se relacionar, de desenvolver e infelizmente de ser.

Onde há excesso de similaridade é preciso buscar por relevância. Sim, relevância. Não adianta a empresa ser moderna, mas não ser relevante, ser tradicional, mas não ser relevante, ousada, mas sem relevância, inovadora até, mas sem relevância. Nada de diferente vai acontecer se a principal liderança não decidir se desprender do que fez a empresa chegar até aqui. Pode até estar dando certo, mas isso não é garantia do sucesso futuro. Há uma necessidade latente de evoluir na maneira de pensar a empresa e principalmente de engajar o público interno.

Falo especificamente de uma maneira de pensar focada na lógica estruturada por conceitos mecanicistas, onde a empresa é um conjunto de departamentos integrados apenas no discurso, porque na prática funcionam como feudos independentes, cada um com sua visão de negócio. Uma linha de gestão que valoriza o que é mensurável, que sustenta mesmo que velada, a competição entre equipes e indivíduos. Neste modelo de organização o organograma chega a ser reverenciado onde geralmente líderes técnicos apresentam baixa competência na gestão do comportamento humano.

Jack Welch, ex-CEO da General Electric afirmou que “quando o ritmo da mudança dentro da empresa for ultrapassado pelo ritmo da mudança fora dela, o fim está próximo. ” Há uma latente necessidade de mudança no modelo de gestão que os principais líderes estão gerenciando. Estas mudanças estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento organizacional que grita por evolução. Infelizmente, o que mais tenho visto, são líderes que vivem a realidade de poucas mudanças, acreditando que a estabilidade e o controle garantirão a produtividade e a competitividade. É preciso questionar o gerenciamento, a cultura organizacional e a relação entre empresa e o público interno. É preciso evoluir.

Durante uma conversa informal, dois empresários em situações distintas, criticaram em tom de desabafo, as características da geração Y e seu comportamento profissional. Este é um belo exemplo de mudança que está ocorrendo lá fora, mas com inegável impacto dentro das organizações. Enquanto alguns líderes afirmam que a geração Y não quer se comprometer, não vestem a camisa e preferem não ficar na empresa por muito tempo, outros estão evoluindo com o ritmo das mudanças e promovendo recompensas intrínsecas, não necessariamente mensuráveis, mas essenciais para a conquista do verdadeiro engajamento.

As pessoas que formam um percentual significativo no mercado de trabalho nasceram entre 1978 e 1994, é a geração Y. Obter o engajamento dessas pessoas será uma missão impossível se os líderes não entenderem que precisam evoluir no seu modelo de gerenciamento. Estas pessoas valorizam a meritocracia, mas não deixam de considerar como fatores críticos, os valores e a capacidade da organização em ter práticas que condizem com o discurso. Buscam o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, são estimulados por desafios e estão ávidos por feedbacks construtivos, desde que conduzidos de forma correta. Para eles, os níveis hierárquicos de comando não são reconhecidos como eficientes, pois acreditam que as áreas profissional e pessoal devem ser vivenciadas em rede e por conexões que propiciem ideias e promovam realizações significativas.

As organizações que entendem esta evolução promovem o equilíbrio entre o empenho individual e o coletivo, onde as divergências são canalizadas para promover novas soluções e conhecimento. Nesse modelo de organização, há abertura para troca de ideias e respeito pelas opiniões individuais, proporcionando tranquilidade e segurança para um novo olhar sobre velhos problemas. Há também um ambiente fértil para inovação, mas para chegar lá é preciso evoluir, saber aplicar toda o aprendizado que o modelo mecanicista nos trouxe e fundi-lo com um tipo de gestão mais orgânico, onde as pessoas, os valores e a cultura organizacional de forma mais ampla, devem ser considerados e gerenciados com base em uma nova realidade.

O escritor e poeta irlandês Oscar Wide diz que “ o descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação”.  Quero encerrar este texto parafraseando a mensagem do poeta e promovendo uma sugestão aos líderes insatisfeitos com o engajamento e com o resultado que suas equipes e empresas tem apresentado: O descontentamento é o primeiro passo para a evolução que sua empresa, queira você ou não, inevitavelmente precisará gerenciar.

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